Master: Sicário mandou para Vorcaro apurações sigilosas do MPF quatro meses antes de prisão em 2025

Quatro meses antes de ser alvo de uma ordem de prisão expedida pela Justiça Federal de Brasília, o dono do Banco MasterDaniel Vorcaro, teve acesso a três procedimentos que tramitavam sob sigilo no Ministério Público Federal (MPF) – inclusive aquele que apurava irregularidades na compra do Master pelo BRB e que o levaria a ser detido por policiais federais antes de embarcar num jatinho no aeroporto internacional de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025.

A equipe da coluna obteve mensagens enviadas a Vorcaro por um comparsa do banqueiro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como o “Sicário”, em 24 de julho de 2025, entre 16h28 e 16h31. O material estava no celular apreendido pela Polícia Federal após a primeira prisão de Vorcaro, quando ele tentava embarcar para Dubai, com escala em Malta.

Nas mensagens, Sicário encaminha a Vorcaro três arquivos com apurações sigilosas Procuradoria da República no Distrito Federal em formato PDF, duas delas sobre o nebuloso negócio entre o Master e o BRB – que, segundo a Justiça Federal de Brasília, se tratou de “pura camaradagem” – e um terceiro procedimento que tratava das suspeitas de que um triplex de luxo em São Paulo, avaliado em R$ 60 milhões, teria sido usado como propina em torno da negociação com o banco estatal de Brasília.

Essa terceira apuração, no entanto, ainda estava num estágio menos avançado de coleta de informações até o ministro do Supremo Tribunal Federal (STFDias Toffoli determinar o envio ao tribunal de todas as investigações conexas ao tribunal em dezembro do ano passado.

As mensagens obtidas pela reportagem confirmam o envio dos arquivos a Vorcaro, mas a equipe da coluna não obteve a sequência completa dos diálogos.

Palavras-chave

De acordo com investigadores, Vorcaro e seus comparsas buscavam as seguintes palavras-chave na busca por procedimentos sigilosos: “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure”, apontado pela PF como sócio oculto do banco do executivo.